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	<title>Contos Perturbados</title>
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	<description>Autor: Psicografado por vários autores amadores de outros mundos obscuros</description>
	<pubDate>Sun, 05 Feb 2006 14:41:45 +0000</pubDate>
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		<title>Análises Cínicas</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2006 14:41:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Ninguém nunca descobriu o que aconteceu nos anos em que trabalhei lá. Foi há muito tempo, nem me lembro exatamente, mas foi entre 2034 ou 2038. Já faz muito tempo. Fui demitido porque o laboratório foi interditado. Lembrei, pois desde março passo todo dia em frente a construção abandonada na esquina da Doutor Colares com a Professor Péricles (antiga Cruz Machado). Está tudo lacrado. Vigilância sanitária. <i style="mso-bidi-font-style: normal">CG Análises Clínicas</i>, a placa continua lá pendurada e suja.<br /></font></span><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><br />
<font color="#FFFFFF">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Comecei a tomar ‘gosto pela coisa’ no segundo mês em que eu estava lá. Até aquele dia eu só tinha tirado seringas pequenas de sangue, mas naquele dia, o doutor havia pedido mais. Não me lembro qual era o doutor, a cidade estava cheia deles. Uma propaganda de Ponta Grossa feita em rede nacional em 2029 pelo prefeito que era do PSOL, havia atraído uma penca de doutorzinhos recém-formados em outras cidades. Mas só chegaram os piores, os que aparentemente nem aula freqüentaram nos tempos de faculdade. Bares e noitadas... Diplomas particulares.</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&#160;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Lembro que ela sentou na cadeira e mecanicamente eu fui cumprindo a rotina. Bom dia, meu nome é Hafild. Sente-se, por favor. Em que braço a senhora prefere? Só um momento enquanto eu preparo a seringa descartável. Odiava ter que falar aquilo daquela seringa reaproveitada. Na verdade, era uma seringa por semana, e para conseguir uma nova, tínhamos que levar a velha para o gerente analisar, se ele achava que ainda estava boa ainda, usávamos a mesma por duas ou três semanas. Economia.</font></span></span></p>
<p><font color="#FFFFFF">&#160;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Peguei o pedido de exame e me assustei quando li. 200ml de sangue. Fiquei imaginando que tipo de problema ela tinha, nunca havia visto alguém que precisasse retirar tanto sangue. Peguei minhas duas seringas grandes e fui executar meu serviço.</font></span></p>
<p><font color="#FFFFFF">&#160;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Quando puxei na primeira seringa, vi que o sangue era muito claro, a pele dela era muito clara, os olhos dela eram muito claros. Mas era quentinho como os outros, eu adorava aquele calor que sentia nas mãos quando puxava o sangue. Ela era fria, olhava pela janela como se nada estivesse acontecendo, e eu já havia tirado 100ml.&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></span> <span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">- A senhora não se assusta com o tanto de sangue que estou retirando?&#160;<br /></font></span><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; - Não, já estou acostumada. Não é a primeira vez.</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Tirei tudo, ela foi embora, fui completar sua ficha e identificar os frascos na sala dos fundos, a qual chamávamos internamente de ‘Quarto dos Ratos’. Era nojenta. A faxineira só limpava em cima da mesa que usávamos para escrever, o resto era muito sujo, eu não me importava. Atrás desta sala havia uma porta que dava para os fundos. Lá ficavam, no tempo, os tambores de depósito de seringas. Estavam todos lotados, as seringas já caiam no chão e boiavam nas poças de água parada avermelhada pelo resto de sangue das seringas. Um cheiro de sangue forte tomava a sala quando aquela porta era aberta, mas ela quase nunca era aberta, jogávamos as seringas pela basculante. Os ratos e insetos alimentavam-se dos restos das seringas e dormiam no Quarto dos Ratos.</font></span></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;<span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Sentei e comecei a preencher a ficha olhando para os frascos. Deu vontade de tomar aquele sangue clarinho. Segurei um dos frascos e vi que já não estava tão quente. Salivei. Engoli seco imaginando o sabor do sangue da mulher clarinha. Não havia ninguém ali, eu era o único que trabalhava no setor de coletas pela manhã. Só havia eu e a recepcionista. Abri e comei um gole pequeno. Desceu como vinho. Levantei da cadeira e segurei como se fosse uma taça, fechei os olhos, e me imaginei um rei romano. Meu palácio, meu harém, minhas jóias, minha túnica de rei, minha coroa de louros, minha sala dourada, tudo era amarelado de ouro. Em minhas mãos, uma taça do melhor vinho daquele império. Virei a taça com a ignorância e a autoridade de um rei, com um prazer enorme, com direito a estalos com a boca no final. Deliciei-me. O sabor era do melhor vinho que eu já havia tomado.&#160;&#160;</span></font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> No final, abri os olhos e vi os dois frascos vazios. Cocei a cabeça pensando na bobagem que fiz e como eu explicaria o desaparecimento do sangue da moça. Não pude pensar muito, chegou mais um paciente para a coleta. Não repetiria mais aquela besteira.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> O paciente entrou e sentou. Carlos. Procedimentos padrões, rotina de explicações e a mentira sobre a seringa, tudo pronto para mais uma coleta. Inseri a seringa na veia e comecei a puxar o sangue, este era escuro, nada de diferente, mas comecei a salivar novamente enquanto sentia o sangue quente entrando na seringa. Fui tomado por uma grande sede. Salivava e engolia, salivava e engolia. Lembrava o gosto do vinho. Sede. Vinho quente.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Carlos agradeceu sorrindo, virou as costas e fechou a porta. Parecia que Carlos sabia que estava ali para servir ao rei. Abri a seringa e tomei o sangue. Ao fechar os olhos, a mesma imagem do eu rei formou-se muito nítida em meu pensamento, e desta vez parecia mais real. Era o Rei Hafild tomando o melhor vinho do império até se babar todo. Abri os olhos e vi que havia realmente me babado. Fui para o Quarto dos Ratos trocar de roupa, já era hora de ir embora.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Entrei no quartinho e vi os frascos vazios da moça clara em cima da mesa, lembrei que não havia resolvido aquilo ainda e mais, agora eu também tinha o sumiço do sangue de Carlos para explicar. Não tive outra opção. Retirei meu sangue e coloquei nos frascos.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Não sei por quantos meses isso aconteceu, já disse que já faz muito tempo, só sei que todos os dias eu tomava todo o sangue que retirava, e a cada ‘taça’ me sentia mais o Rei Hafild. No final da manhã, retirava meu sangue para repor. Nos últimos dias eu já estava tirando sangue das veias dos meus pés.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Com o passar do tempo eu já enxergava tudo nitidamente, com os olhos abertos. O Quarto dos Ratos era a sala do meu harém, eu via as belas mulheres me esperando. Lá fora, no canto das seringas, eu via o povo trabalhando para me pagar impostos; e na sala de coleta, era onde eu tomava meu nobre vinho trazido pelos meus súditos.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Só parei quando fui demitido, foi difícil para o rei aceitar. Fiquei meses procurando emprego em outro laboratório porque ele me cobrava o vinho. Minha experiência no CG mais atrapalhava do que ajudava. A esta altura toda a cidade já sabia do Quarto dos Ratos e dos tambores de seringa. Mas ninguém sabia do meu reinado e do puro vinho com o qual eu era servido.&#160;&#160;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</span> Hoje passo em frente e lembro de tudo, mas não tenho mais saudades do meu palácio, do meu harém e do saboroso vinho. O Rei Hafild teve que mudar seus hábitos. Estou trabalhando no hospital, transplante de rins. Um fígado meu já retirei em uma clínica clandestina, precisava repor um que ‘desapareceu’. Agora preciso pensar em como repor os rins antes de continuar servindo ao rei com a carne mais nobre do império.</font></span></p>

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<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Ninguém nunca descobriu o que aconteceu nos anos em que trabalhei lá. Foi há muito tempo, nem me lembro exatamente, mas foi entre 2034 ou 2038. Já faz muito tempo. Fui demitido porque o laboratório foi interditado. Lembrei, pois desde março passo todo dia em frente a construção abandonada na esquina da Doutor Colares com a Professor Péricles (antiga Cruz Machado). Está tudo lacrado. Vigilância sanitária. <i style="mso-bidi-font-style: normal">CG Análises Clínicas</i>, a placa continua lá pendurada e suja.<br /></font></span><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><br />
<font color="#FFFFFF">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comecei a tomar ‘gosto pela coisa’ no segundo mês em que eu estava lá. Até aquele dia eu só tinha tirado seringas pequenas de sangue, mas naquele dia, o doutor havia pedido mais. Não me lembro qual era o doutor, a cidade estava cheia deles. Uma propaganda de Ponta Grossa feita em rede nacional em 2029 pelo prefeito que era do PSOL, havia atraído uma penca de doutorzinhos recém-formados em outras cidades. Mas só chegaram os piores, os que aparentemente nem aula freqüentaram nos tempos de faculdade. Bares e noitadas&#8230; Diplomas particulares.</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&nbsp;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Lembro que ela sentou na cadeira e mecanicamente eu fui cumprindo a rotina. Bom dia, meu nome é Hafild. Sente-se, por favor. Em que braço a senhora prefere? Só um momento enquanto eu preparo a seringa descartável. Odiava ter que falar aquilo daquela seringa reaproveitada. Na verdade, era uma seringa por semana, e para conseguir uma nova, tínhamos que levar a velha para o gerente analisar, se ele achava que ainda estava boa ainda, usávamos a mesma por duas ou três semanas. Economia.</font></span></span></p>
<p><font color="#FFFFFF">&nbsp;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Peguei o pedido de exame e me assustei quando li. 200ml de sangue. Fiquei imaginando que tipo de problema ela tinha, nunca havia visto alguém que precisasse retirar tanto sangue. Peguei minhas duas seringas grandes e fui executar meu serviço.</font></span></p>
<p><font color="#FFFFFF">&nbsp;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Quando puxei na primeira seringa, vi que o sangue era muito claro, a pele dela era muito clara, os olhos dela eram muito claros. Mas era quentinho como os outros, eu adorava aquele calor que sentia nas mãos quando puxava o sangue. Ela era fria, olhava pela janela como se nada estivesse acontecendo, e eu já havia tirado 100ml.&nbsp;<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</font></span> <span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">- A senhora não se assusta com o tanto de sangue que estou retirando?&nbsp;<br /></font></span><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Não, já estou acostumada. Não é a primeira vez.</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</font><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Tirei tudo, ela foi embora, fui completar sua ficha e identificar os frascos na sala dos fundos, a qual chamávamos internamente de ‘Quarto dos Ratos’. Era nojenta. A faxineira só limpava em cima da mesa que usávamos para escrever, o resto era muito sujo, eu não me importava. Atrás desta sala havia uma porta que dava para os fundos. Lá ficavam, no tempo, os tambores de depósito de seringas. Estavam todos lotados, as seringas já caiam no chão e boiavam nas poças de água parada avermelhada pelo resto de sangue das seringas. Um cheiro de sangue forte tomava a sala quando aquela porta era aberta, mas ela quase nunca era aberta, jogávamos as seringas pela basculante. Os ratos e insetos alimentavam-se dos restos das seringas e dormiam no Quarto dos Ratos.</font></span></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Sentei e comecei a preencher a ficha olhando para os frascos. Deu vontade de tomar aquele sangue clarinho. Segurei um dos frascos e vi que já não estava tão quente. Salivei. Engoli seco imaginando o sabor do sangue da mulher clarinha. Não havia ninguém ali, eu era o único que trabalhava no setor de coletas pela manhã. Só havia eu e a recepcionista. Abri e comei um gole pequeno. Desceu como vinho. Levantei da cadeira e segurei como se fosse uma taça, fechei os olhos, e me imaginei um rei romano. Meu palácio, meu harém, minhas jóias, minha túnica de rei, minha coroa de louros, minha sala dourada, tudo era amarelado de ouro. Em minhas mãos, uma taça do melhor vinho daquele império. Virei a taça com a ignorância e a autoridade de um rei, com um prazer enorme, com direito a estalos com a boca no final. Deliciei-me. O sabor era do melhor vinho que eu já havia tomado.&nbsp;&nbsp;</span></font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> No final, abri os olhos e vi os dois frascos vazios. Cocei a cabeça pensando na bobagem que fiz e como eu explicaria o desaparecimento do sangue da moça. Não pude pensar muito, chegou mais um paciente para a coleta. Não repetiria mais aquela besteira.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> O paciente entrou e sentou. Carlos. Procedimentos padrões, rotina de explicações e a mentira sobre a seringa, tudo pronto para mais uma coleta. Inseri a seringa na veia e comecei a puxar o sangue, este era escuro, nada de diferente, mas comecei a salivar novamente enquanto sentia o sangue quente entrando na seringa. Fui tomado por uma grande sede. Salivava e engolia, salivava e engolia. Lembrava o gosto do vinho. Sede. Vinho quente.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Carlos agradeceu sorrindo, virou as costas e fechou a porta. Parecia que Carlos sabia que estava ali para servir ao rei. Abri a seringa e tomei o sangue. Ao fechar os olhos, a mesma imagem do eu rei formou-se muito nítida em meu pensamento, e desta vez parecia mais real. Era o Rei Hafild tomando o melhor vinho do império até se babar todo. Abri os olhos e vi que havia realmente me babado. Fui para o Quarto dos Ratos trocar de roupa, já era hora de ir embora.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Entrei no quartinho e vi os frascos vazios da moça clara em cima da mesa, lembrei que não havia resolvido aquilo ainda e mais, agora eu também tinha o sumiço do sangue de Carlos para explicar. Não tive outra opção. Retirei meu sangue e coloquei nos frascos.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Não sei por quantos meses isso aconteceu, já disse que já faz muito tempo, só sei que todos os dias eu tomava todo o sangue que retirava, e a cada ‘taça’ me sentia mais o Rei Hafild. No final da manhã, retirava meu sangue para repor. Nos últimos dias eu já estava tirando sangue das veias dos meus pés.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF">Com o passar do tempo eu já enxergava tudo nitidamente, com os olhos abertos. O Quarto dos Ratos era a sala do meu harém, eu via as belas mulheres me esperando. Lá fora, no canto das seringas, eu via o povo trabalhando para me pagar impostos; e na sala de coleta, era onde eu tomava meu nobre vinho trazido pelos meus súditos.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Só parei quando fui demitido, foi difícil para o rei aceitar. Fiquei meses procurando emprego em outro laboratório porque ele me cobrava o vinho. Minha experiência no CG mais atrapalhava do que ajudava. A esta altura toda a cidade já sabia do Quarto dos Ratos e dos tambores de seringa. Mas ninguém sabia do meu reinado e do puro vinho com o qual eu era servido.&nbsp;&nbsp;</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-layout-grid-align: none"><span style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><font color="#FFFFFF"><span style="mso-tab-count: 1">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span> Hoje passo em frente e lembro de tudo, mas não tenho mais saudades do meu palácio, do meu harém e do saboroso vinho. O Rei Hafild teve que mudar seus hábitos. Estou trabalhando no hospital, transplante de rins. Um fígado meu já retirei em uma clínica clandestina, precisava repor um que ‘desapareceu’. Agora preciso pensar em como repor os rins antes de continuar servindo ao rei com a carne mais nobre do império.</font></span></p>
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		<title>Compra-se Cachorros</title>
		<link>http://insanos.blog.com/2005/11/10/compra-se-cachorros/</link>
		<comments>http://insanos.blog.com/2005/11/10/compra-se-cachorros/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2005 11:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[<p align="justify"><font face="Arial" color="#FFFFFF" size="2">Na verdade eu saí só para pegar um maço de Marlboro, mas o Pet Shop fica no caminho. Não resisti, entrei e comprei um filhote de cachorro. Um poodle fêmea, branco, dois meses de vida. Não comprei coleira, já tenho em casa. Vermelha.</font></p>
<p align="justify">Cheguei em casa já passava das quinze:00. Ração no potinho. Ela comeu tudo, bebeu toda a água e recebeu a coleira vermelha que eu havia prometido no caminho. Fomos para a poltrona estampada. TV ligada, pés para cima, ela quietinha no meu colo. Quando ela quis descer eu não deixei. "Fica quieta". Ela cagou ali mesmo em cima de mim. Calmamente fui até a lavanderia e peguei o porrete com pregos. Massetei o poodle até dividi-lo em três pedaços. Minha poltrona tem Scotchgard.</p>
<p align="justify">Joguei os pedaços na lixeira da cozinha e voltei a sentar na poltrona suja com o sangue canino. Segurando uma patinha dela que sobrou por ali, achei que não seria tarde para batizá-la. Amanda. O nome combinava com seu pelo. Soltei a patinha no cinzeiro de vidro e achei melhor ir dormir.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">...</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Hoje fui ao Pet Shop enquanto fumava um Marlboro, fui calculando quantos filhotes ainda preciso para acabar com aquele maldito pacote de ração colorida. Fui pensando também o que eu iria falar para a vendedora, seria o quinto dia consecutivo que eu comprava um cachorro. Consegui um pastor alemão de 20 dias e comprei uma coleira nova, a outra eu esqueci na Amanda e o lixo eu tirei cedo hoje. Batizei o pastorzinho de Dick. Já disse que não gosto de batizados póstumos.</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p align="justify"><font face="Arial" color="#FFFFFF" size="2">Na verdade eu saí só para pegar um maço de Marlboro, mas o Pet Shop fica no caminho. Não resisti, entrei e comprei um filhote de cachorro. Um poodle fêmea, branco, dois meses de vida. Não comprei coleira, já tenho em casa. Vermelha.</font></p>
<p align="justify">Cheguei em casa já passava das quinze:00. Ração no potinho. Ela comeu tudo, bebeu toda a água e recebeu a coleira vermelha que eu havia prometido no caminho. Fomos para a poltrona estampada. TV ligada, pés para cima, ela quietinha no meu colo. Quando ela quis descer eu não deixei. &#8220;Fica quieta&#8221;. Ela cagou ali mesmo em cima de mim. Calmamente fui até a lavanderia e peguei o porrete com pregos. Massetei o poodle até dividi-lo em três pedaços. Minha poltrona tem Scotchgard.</p>
<p align="justify">Joguei os pedaços na lixeira da cozinha e voltei a sentar na poltrona suja com o sangue canino. Segurando uma patinha dela que sobrou por ali, achei que não seria tarde para batizá-la. Amanda. O nome combinava com seu pelo. Soltei a patinha no cinzeiro de vidro e achei melhor ir dormir.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&#8230;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Hoje fui ao Pet Shop enquanto fumava um Marlboro, fui calculando quantos filhotes ainda preciso para acabar com aquele maldito pacote de ração colorida. Fui pensando também o que eu iria falar para a vendedora, seria o quinto dia consecutivo que eu comprava um cachorro. Consegui um pastor alemão de 20 dias e comprei uma coleira nova, a outra eu esqueci na Amanda e o lixo eu tirei cedo hoje. Batizei o pastorzinho de Dick. Já disse que não gosto de batizados póstumos.</p>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		<title>REVANCHE - Ele vai passar por aqui</title>
		<link>http://insanos.blog.com/2005/07/11/revanche-ele-vai-passar-por-aqui/</link>
		<comments>http://insanos.blog.com/2005/07/11/revanche-ele-vai-passar-por-aqui/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2005 13:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><b>Ele vai passar por aqui. É o caminho dele toda manhã e toda a noite. Mesmo com esta chuva, ele vai passar por aqui. Já vi ele passar por esta rua a pé em dias piores. Não tem erro, hoje a noite ele passa por aqui.</b></p>
<p>Posso medir o tamanho da minha raiva por esta situação maldita. Um temporal que não pára há 2 horas. A água nojenta desta rua cobrindo todo o meu pé vestido com este tênis vagabundo, agora inundado por esse líquido fedorento que sai desse bueiro cheio de ratos e cadáveres. Mas, tudo vai valer a pena quando ele passar por aqui.</p>
<p>Merda! Meu braço está doendo, não agüento mais segurar este porrete nessa posição ingrata, mas não posso errar a cabeça dele. Vai ser uma só na nuca. Pow! Foi assim que fez comigo, é assim que vai ser o troco. No inferno ele vai lembrar da ocasião de sua morte. "Morri no mesmo dia em que salvei minha própria vida." Hilário. Ele vai passar por aqui e vai se arrepender do que fez hoje cedo.</p>
<p>Era a primeira vítima do dia. Quando dei voz de assalto, o filho da mãe conseguiu me distrair e me deu uma porrada com a maleta de metal. O desgraçado acertou meu rosto. Acertou o nariz que estourou na hora e a fivela daquela maleta de bicha acertou na minha boca como um anzol. Está sangrando até agora, cacete, meus braços estão sujos com o sangue escorrendo e misturado com esta chuva me deixa com a aparência de um serial killer velho em final de carreira. Meu nariz latejou o dia todo, dói pra cacete, e com a boca inchada pareço um doente, não precisaria roubar ninguém hoje, se alguém me visse, me daria uns trocados por dó.</p>
<p>Mas, com ele não vai ser assim, vai ser uma só. Pow! A sua última visão do mundo vai ser a minha cara sorrindo e esta rua fedorenta e miserável. Vai fazer companhia aos corpos dos marginais que a lei apaga todo dia e desova aqui. O fedor de carniça deste lugar vai lhe cair bem. Logo ele vai passar por aqui, é uma porrada e posso ir para casa feliz. Vou poder lavar este sangue que já está cheirando podre e grudando na minha pele. A cada dois minutos tenho que passar a mão no rosto e limpar um pouco esta nojeira. Pelo menos isto está deixando o bastão mais aderente à minha mão.</p>
<p>Já é uma da manhã e ele não passou por aqui, acho que foi a chuva. Agora não adianta mais, meu braço está amortecido de segurar este porrete para cima, eu não conseguiria acertar ele com força agora. Vou para casa, outro dia a gente se acerta, agora preciso dar um jeito nesse nariz torto e lavar esta camisa ensangüentada.</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><b>Ele vai passar por aqui. É o caminho dele toda manhã e toda a noite. Mesmo com esta chuva, ele vai passar por aqui. Já vi ele passar por esta rua a pé em dias piores. Não tem erro, hoje a noite ele passa por aqui.</b></p>
<p>Posso medir o tamanho da minha raiva por esta situação maldita. Um temporal que não pára há 2 horas. A água nojenta desta rua cobrindo todo o meu pé vestido com este tênis vagabundo, agora inundado por esse líquido fedorento que sai desse bueiro cheio de ratos e cadáveres. Mas, tudo vai valer a pena quando ele passar por aqui.</p>
<p>Merda! Meu braço está doendo, não agüento mais segurar este porrete nessa posição ingrata, mas não posso errar a cabeça dele. Vai ser uma só na nuca. Pow! Foi assim que fez comigo, é assim que vai ser o troco. No inferno ele vai lembrar da ocasião de sua morte. &#8220;Morri no mesmo dia em que salvei minha própria vida.&#8221; Hilário. Ele vai passar por aqui e vai se arrepender do que fez hoje cedo.</p>
<p>Era a primeira vítima do dia. Quando dei voz de assalto, o filho da mãe conseguiu me distrair e me deu uma porrada com a maleta de metal. O desgraçado acertou meu rosto. Acertou o nariz que estourou na hora e a fivela daquela maleta de bicha acertou na minha boca como um anzol. Está sangrando até agora, cacete, meus braços estão sujos com o sangue escorrendo e misturado com esta chuva me deixa com a aparência de um serial killer velho em final de carreira. Meu nariz latejou o dia todo, dói pra cacete, e com a boca inchada pareço um doente, não precisaria roubar ninguém hoje, se alguém me visse, me daria uns trocados por dó.</p>
<p>Mas, com ele não vai ser assim, vai ser uma só. Pow! A sua última visão do mundo vai ser a minha cara sorrindo e esta rua fedorenta e miserável. Vai fazer companhia aos corpos dos marginais que a lei apaga todo dia e desova aqui. O fedor de carniça deste lugar vai lhe cair bem. Logo ele vai passar por aqui, é uma porrada e posso ir para casa feliz. Vou poder lavar este sangue que já está cheirando podre e grudando na minha pele. A cada dois minutos tenho que passar a mão no rosto e limpar um pouco esta nojeira. Pelo menos isto está deixando o bastão mais aderente à minha mão.</p>
<p>Já é uma da manhã e ele não passou por aqui, acho que foi a chuva. Agora não adianta mais, meu braço está amortecido de segurar este porrete para cima, eu não conseguiria acertar ele com força agora. Vou para casa, outro dia a gente se acerta, agora preciso dar um jeito nesse nariz torto e lavar esta camisa ensangüentada.</p>
</div>
<div></div>
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		<title>Não importa quem, e sim como</title>
		<link>http://insanos.blog.com/2005/03/22/nao-importa-quem-e-sim-como/</link>
		<comments>http://insanos.blog.com/2005/03/22/nao-importa-quem-e-sim-como/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Mar 2005 04:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O que tinha eram três idéias no papel e várias na cabeça, ele estava escrevendo à mão. Desempregado, tentava uma carreira de escritor no gênero <i style="mso-bidi-font-style: normal">thriller</i>, não havia comentado nada com ninguém e o livro não havia saído dos manuscritos bagunçados na mesa da sala. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>, era o personagem principal. Inspirado em <i style="mso-bidi-font-style: normal">serial killers</i> exagerados, o <i style="mso-bidi-font-style: normal">thriller</i> continha crimes repulsivos e sarcásticos, realmente dementes, que classificariam seu personagem como uma das figuras mais nojentas da literatura.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Pela manhã, no computador, ele verifica os e-mails do dia: notícias, propagandas, mensagens de amigos, sacanagens, piadas, correntes... E um e-mail desconhecido aparece.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Uma mensagem de quem se diz ser <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>, seu personagem...</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Oi pai. Esta aventura está sendo maravilhosa. Sua primeira idéia funcionou de forma muito nojenta. Consegui o rapaz de 21 anos e os pés dele realmente não agüentaram, fica comprovado, como você previu no primeiro capítulo, um rottweiler esfomeado não resiste a um pé cheio de molho de churrasco.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">P.S.: Permita-me chamar você de pai, você me deu uma vida realmente prazerosa com minha história.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O escritor fica imóvel e trêmulo. Não seria possível! O crime descrito no e-mail era exatamente o crime cometido pelo seu personagem no primeiro capítulo do livro, mas o livro não saiu da mesa da sala e o sobrenome do personagem foi tirado da sua imaginação, usando uma salada de letras idiota e sem lógica.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O que mais assustava era a maneira como o assassino escrevia seu e-mail, dava para sentir a frieza, era como se estivesse comunicando com alegria o nascimento de uma criança, era doentio. Dava para perceber sua brutalidade no modo que estruturava a mensagem, era escrita de qualquer jeito, sem nenhuma preocupação com estrutura ou virgulas ou gramática, era simplesmente um comunicado ao pai de uma tarefa realizada com satisfação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O escritor corre até os manuscritos bagunçados e encontra o primeiro capítulo, intacto, da forma que ele tinha deixado, loucura. Nunca havia contado à ninguém sobre o livro, não tinha empregados na casa, há dias ninguém aparecia para visitar. Era impossível alguém ter lido aquilo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele corre para o computador para pesquisar se haviam registros do crime... E a notícia estava lá, com a data de ontem. O crime aconteceu. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Rottweiler devora os pés de um rapaz de 21 anos. A polícia encontrou ontem à tarde um rapaz morto sem os dois pés, a perícia encontrou um frasco de molho de churrasco perto do corpo e os tornozelos do garoto estavam sujos com o molho, a polícia suspeita que o cão comeu os pés do rapaz motivado pelo molho. As impressões digitais estão sendo pesquisadas.</i></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">As mãos no rosto, a mente chocada, o corpo tremendo, a sensação de estar sentindo o cheiro do molho de churrasco e do sangue, a sensação de sentir-se o assassino.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele não entendera nada, mas havia acontecido. Dor de cabeça, vertigem, ele não consegue pensar em nada que explique o caso, não há como explicar. Não, não e não. Eu criei a história. E ninguém leu isso. Ele passa o dia em estado de choque, sentado no sofá e chorando nervoso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Na manhã seguinte, resolve não escrever nada, está tentando entender o acontecido. Ele já havia escrito três capítulos, três crimes. 20 maneiras de educar o mundo, eram 20 crimes selvagens, todos já estavam planejados na sua cabeça, mas agora não havia pressa nem inspiração para acabar o livro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Para um homem solitário, a Internet é um lugar para passar horas interagindo com o mundo. Todo dia são mais 35 para ler. Notícias, propagandas, mensagens de amigos, sacanagens, piadas, correntes, porcarias e mais uma mensagem que ele não queria receber. Outra mensagem de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>...</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><br />
Oi pai, estou muito excitado hoje, o segundo crime era um sonho. Quem imaginaria uma cena de desenho animado realmente acontecendo em pleno centro da cidade? Ninguém acreditava na cena! Anote aí, um cofre caindo do décimo andar na cabeça de um velho, realmente mata o velho. Há, há, há. Brijos do seu filho amado Mark Lorgkawin.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Desta vez ele abaixa a cabeça, coloca as mãos no rosto e chora desesperado por uns 3 minutos, nervoso e assustado. Não há o que fazer e nem mais alternativas para pensar, não havia a possibilidade de alguém ter lido seus manuscritos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O terceiro crime também acontece. O e-mail também chega e a euforia positiva do assassino em contar os fatos é cada vez maior.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Os acontecimentos reais começam a aguçar as idéias na cabeça do escritor que resolve colocar o quarto crime no papel, planejado com maior frialdade desta vez, sem saber que a insanidade e o entusiasmo do assassino estão afetando e aprimorando os crimes descritos pelo escritor. Ele não é mais o mesmo, sua crueldade com os personagens mortos tende a ser cada vez maior.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Com um plano na cabeça, o escritor faz um teste e usa uma pessoa de nome conhecido como vítima no terceiro crime. O crime é humilhante e torturador, as ações do real assassino realmente mexeram com a cabeça do escritor, mas ele não tem consciência disso e aprimora as transgressões que cria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Novamente o crime acontece, de um dia para o outro. Agora com um nome conhecido, a notícia aparece em todos os noticiários. O e-mail chega descrevendo a brutalidade, sempre com uma alta carga negativa e sarcástica e agora com uma entonação de heroísmo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Quando escreveu este crime, o escritor tinha um plano na cabeça. Agora era hora de executar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele muda o nome do livro. 20 maneiras de educar o mundo, torna-se 32 maneiras de se sentir bem. O nome não precisava mais ser vendedor, não precisava ter formato de <i style="mso-bidi-font-style: normal">best-seller</i>, já que não poderia mais ser publicado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Seu conteúdo possuía agora: 20 crimes incógnitos e aleatórios, conforme a proposta inicial e mais 12 crimes com alvos certeiros. Doze desafetos do escritor, os quais, segundo ele, mereciam uma lição nesta vida e a morte era uma grande lição, fácil de executar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">No total: 1 escritor anônimo, 1 assassino enigmático, 32 crimes desnecessários, 32 e-mails sangrentos e 32 notas sensacionalistas nos noticiários. 12 delas ocupavam agora lugares de destaque no mural da sala do escritor anônimo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O livro foi queimado, crime a crime, enquanto o escritor tomava vinho seco em frente à lareira, relembrando o contentamento de ter sido correspondido, sabe-se lá por quem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Um novo livro está sendo escrito: A extinção da espécie humana, ele já passou da metade, desta vez em forma de poemas, seu modo doente de descrever crimes piora a cada página. As coisas já começaram a acontecer, os e-mails com as descrições são cada vez mais delirantes e o escritor sente a cada dia mais prazer em escrever.</span></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O que tinha eram três idéias no papel e várias na cabeça, ele estava escrevendo à mão. Desempregado, tentava uma carreira de escritor no gênero <i style="mso-bidi-font-style: normal">thriller</i>, não havia comentado nada com ninguém e o livro não havia saído dos manuscritos bagunçados na mesa da sala. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>, era o personagem principal. Inspirado em <i style="mso-bidi-font-style: normal">serial killers</i> exagerados, o <i style="mso-bidi-font-style: normal">thriller</i> continha crimes repulsivos e sarcásticos, realmente dementes, que classificariam seu personagem como uma das figuras mais nojentas da literatura.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Pela manhã, no computador, ele verifica os e-mails do dia: notícias, propagandas, mensagens de amigos, sacanagens, piadas, correntes&#8230; E um e-mail desconhecido aparece.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Uma mensagem de quem se diz ser <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>, seu personagem&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Oi pai. Esta aventura está sendo maravilhosa. Sua primeira idéia funcionou de forma muito nojenta. Consegui o rapaz de 21 anos e os pés dele realmente não agüentaram, fica comprovado, como você previu no primeiro capítulo, um rottweiler esfomeado não resiste a um pé cheio de molho de churrasco.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">P.S.: Permita-me chamar você de pai, você me deu uma vida realmente prazerosa com minha história.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O escritor fica imóvel e trêmulo. Não seria possível! O crime descrito no e-mail era exatamente o crime cometido pelo seu personagem no primeiro capítulo do livro, mas o livro não saiu da mesa da sala e o sobrenome do personagem foi tirado da sua imaginação, usando uma salada de letras idiota e sem lógica.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O que mais assustava era a maneira como o assassino escrevia seu e-mail, dava para sentir a frieza, era como se estivesse comunicando com alegria o nascimento de uma criança, era doentio. Dava para perceber sua brutalidade no modo que estruturava a mensagem, era escrita de qualquer jeito, sem nenhuma preocupação com estrutura ou virgulas ou gramática, era simplesmente um comunicado ao pai de uma tarefa realizada com satisfação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O escritor corre até os manuscritos bagunçados e encontra o primeiro capítulo, intacto, da forma que ele tinha deixado, loucura. Nunca havia contado à ninguém sobre o livro, não tinha empregados na casa, há dias ninguém aparecia para visitar. Era impossível alguém ter lido aquilo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele corre para o computador para pesquisar se haviam registros do crime&#8230; E a notícia estava lá, com a data de ontem. O crime aconteceu. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Rottweiler devora os pés de um rapaz de 21 anos. A polícia encontrou ontem à tarde um rapaz morto sem os dois pés, a perícia encontrou um frasco de molho de churrasco perto do corpo e os tornozelos do garoto estavam sujos com o molho, a polícia suspeita que o cão comeu os pés do rapaz motivado pelo molho. As impressões digitais estão sendo pesquisadas.</i></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">As mãos no rosto, a mente chocada, o corpo tremendo, a sensação de estar sentindo o cheiro do molho de churrasco e do sangue, a sensação de sentir-se o assassino.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele não entendera nada, mas havia acontecido. Dor de cabeça, vertigem, ele não consegue pensar em nada que explique o caso, não há como explicar. Não, não e não. Eu criei a história. E ninguém leu isso. Ele passa o dia em estado de choque, sentado no sofá e chorando nervoso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Na manhã seguinte, resolve não escrever nada, está tentando entender o acontecido. Ele já havia escrito três capítulos, três crimes. 20 maneiras de educar o mundo, eram 20 crimes selvagens, todos já estavam planejados na sua cabeça, mas agora não havia pressa nem inspiração para acabar o livro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Para um homem solitário, a Internet é um lugar para passar horas interagindo com o mundo. Todo dia são mais 35 para ler. Notícias, propagandas, mensagens de amigos, sacanagens, piadas, correntes, porcarias e mais uma mensagem que ele não queria receber. Outra mensagem de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Mark Lorgkawin</i>&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><br />
Oi pai, estou muito excitado hoje, o segundo crime era um sonho. Quem imaginaria uma cena de desenho animado realmente acontecendo em pleno centro da cidade? Ninguém acreditava na cena! Anote aí, um cofre caindo do décimo andar na cabeça de um velho, realmente mata o velho. Há, há, há. Brijos do seu filho amado Mark Lorgkawin.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Desta vez ele abaixa a cabeça, coloca as mãos no rosto e chora desesperado por uns 3 minutos, nervoso e assustado. Não há o que fazer e nem mais alternativas para pensar, não havia a possibilidade de alguém ter lido seus manuscritos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O terceiro crime também acontece. O e-mail também chega e a euforia positiva do assassino em contar os fatos é cada vez maior.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Os acontecimentos reais começam a aguçar as idéias na cabeça do escritor que resolve colocar o quarto crime no papel, planejado com maior frialdade desta vez, sem saber que a insanidade e o entusiasmo do assassino estão afetando e aprimorando os crimes descritos pelo escritor. Ele não é mais o mesmo, sua crueldade com os personagens mortos tende a ser cada vez maior.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Com um plano na cabeça, o escritor faz um teste e usa uma pessoa de nome conhecido como vítima no terceiro crime. O crime é humilhante e torturador, as ações do real assassino realmente mexeram com a cabeça do escritor, mas ele não tem consciência disso e aprimora as transgressões que cria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Novamente o crime acontece, de um dia para o outro. Agora com um nome conhecido, a notícia aparece em todos os noticiários. O e-mail chega descrevendo a brutalidade, sempre com uma alta carga negativa e sarcástica e agora com uma entonação de heroísmo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Quando escreveu este crime, o escritor tinha um plano na cabeça. Agora era hora de executar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Ele muda o nome do livro. 20 maneiras de educar o mundo, torna-se 32 maneiras de se sentir bem. O nome não precisava mais ser vendedor, não precisava ter formato de <i style="mso-bidi-font-style: normal">best-seller</i>, já que não poderia mais ser publicado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Seu conteúdo possuía agora: 20 crimes incógnitos e aleatórios, conforme a proposta inicial e mais 12 crimes com alvos certeiros. Doze desafetos do escritor, os quais, segundo ele, mereciam uma lição nesta vida e a morte era uma grande lição, fácil de executar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">No total: 1 escritor anônimo, 1 assassino enigmático, 32 crimes desnecessários, 32 e-mails sangrentos e 32 notas sensacionalistas nos noticiários. 12 delas ocupavam agora lugares de destaque no mural da sala do escritor anônimo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">O livro foi queimado, crime a crime, enquanto o escritor tomava vinho seco em frente à lareira, relembrando o contentamento de ter sido correspondido, sabe-se lá por quem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Um novo livro está sendo escrito: A extinção da espécie humana, ele já passou da metade, desta vez em forma de poemas, seu modo doente de descrever crimes piora a cada página. As coisas já começaram a acontecer, os e-mails com as descrições são cada vez mais delirantes e o escritor sente a cada dia mais prazer em escrever.</span></p>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>Foi a faca</title>
		<link>http://insanos.blog.com/2005/02/27/foi-a-faca/</link>
		<comments>http://insanos.blog.com/2005/02/27/foi-a-faca/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Feb 2005 15:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Oi Arthur, desculpa te ligar a esta hora. Não sei o que faço com a minha mulher...<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Ah, tinha que ser essa vaca para tirar você do sério e você me ligar a essa hora da noite! Você já sabe Alie, se fosse minha esposa eu a colocava em uma caixa e mandava para a Groenlândia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Boa idéia Arthur, só me preocupo com o cheiro daqui a alguns dias, demora muito para esta caixa chegar na Groenlândia?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Espera aí Alie, como assim cheiro? Onde você está?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Estou na chácara e ela está morta Arthur, morta, você acha que eu ia te ligar para ouvir conselho matrimonial? Eu preciso me livrar do corpo dela!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><span style="mso-tab-count: 1">           </span> Arthur começa a gritar do outro lado da linha.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Como assim Alie? De novo? Você não consegue se controlar com as pessoas? Caramba! Será que você não consegue ser normal e passar um ano sem matar alguém?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Descontrolado, Alie segura o choro estérico e o que escorre pelo seu nariz. O barulho emitido dá medo até do outro lado da linha. Desta vez não foi ele, ele começa a explicar em soluços e com uma voz que dá medo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Arthur. (choro) Arthur. Não fui eu. A gente brigou, é claro, aquela idiota era movida a brigas, mas eu não encostei a mão nela, não encostei Arthur  ele segura o choro, emitindo um barulho que faz com que Arthur sinta o desespero de Alie e comece a chorar também do outro lado da linha.  Depois da briga ela foi lavar a louça e eu fui ajudar, queria fazer as pases, não queria matá-la. Você acredita em mim Arthur?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Então Alie grita, parecendo ser o único modo de ser compreendido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- NÃO FUI EU ARTHUR, EU NÃO QUERIA MATÁ-LA! Você acredita em mim desta vez?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Claro Alie, eu acredito.  Arthur está desesperado, sabia que Alie tinha alguns antecedentes, mas nunca tinha se envolvido, conhecia Arthur havia alguns meses. Arthur chora do outro lado da linha com medo que ele peça a sua ajuda. Alie fica quieto por alguns segundos, o que Arthur ouve são só os soluços, o choro reprimido e o barulho da mata sinistra. A sensação é de pânico.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Eu estava bem atrás dela, secando aquela maldita louça, quando ela derrubou um copo na pia. Parece que vejo em câmera lenta. Ela derruba o copo e dá um pulo para trás, fugindo dos cacos que espirram, e atrás estou eu, secando uma grande faca afiada de cortar carnes, ela vêm com força, sem saber que estou atrás, a faca entra nas suas costas, atravessando mais da metade do corpo dela, o berro parece o de um porco sendo sacrificado. Depois disto só escuto o barulho do corpo dela caindo no assoalho, o estrondo deu até eco mata adentro. Durante segundos fiquei ali parado, sem saber o que fazer, a faca toda ensangüentada, minha mão, minha camisa. Ela no chão, parada, morta, mas com a mesma cara de vadia envocada de sempre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Arthur interrompe:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alie, você já tem antecedentes, não podemos nem chamar a polícia, não dá para contar esta história. Não dá para enviar este corpo para a Groenlândia, China, nem Amsterdã. Você vai ter que se livrar dela. Não tem vizinhos por aí, ela não tinha parentes, ninguém vai perguntar o que aconteceu. Livre-se dela Alie e pelo amor de deus, não me peça para ajudá-lo.  Arthur chora desesperado com medo de ter que ajudar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Certo amigo, já estou mais calmo, vou me livra dela, enterro junto com o casal de caseiros. Obrigado por me ouvir Arthur, quando as coisas acontecem e a gente não tem culpa, mas também não tem controle da situação, não há nada melhor do que um conselho amigo. Obrigado Arthur.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Sete meses depois.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alô, Arthur, desculpe te ligar a esta hora, sabe a empregada que trouxe da cidade? Estou tendo problemas com ela.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alie, eu já te disse milhares de vezes, problemas podem ser resolvidos entre duas pessoas com uma conversa franca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Não Arthur, desta vez ela não vai poder me ouvir.</span></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Oi Arthur, desculpa te ligar a esta hora. Não sei o que faço com a minha mulher&#8230;<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Ah, tinha que ser essa vaca para tirar você do sério e você me ligar a essa hora da noite! Você já sabe Alie, se fosse minha esposa eu a colocava em uma caixa e mandava para a Groenlândia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Boa idéia Arthur, só me preocupo com o cheiro daqui a alguns dias, demora muito para esta caixa chegar na Groenlândia?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Espera aí Alie, como assim cheiro? Onde você está?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Estou na chácara e ela está morta Arthur, morta, você acha que eu ia te ligar para ouvir conselho matrimonial? Eu preciso me livrar do corpo dela!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"><span style="mso-tab-count: 1">           </span> Arthur começa a gritar do outro lado da linha.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Como assim Alie? De novo? Você não consegue se controlar com as pessoas? Caramba! Será que você não consegue ser normal e passar um ano sem matar alguém?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Descontrolado, Alie segura o choro estérico e o que escorre pelo seu nariz. O barulho emitido dá medo até do outro lado da linha. Desta vez não foi ele, ele começa a explicar em soluços e com uma voz que dá medo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Arthur. (choro) Arthur. Não fui eu. A gente brigou, é claro, aquela idiota era movida a brigas, mas eu não encostei a mão nela, não encostei Arthur  ele segura o choro, emitindo um barulho que faz com que Arthur sinta o desespero de Alie e comece a chorar também do outro lado da linha.  Depois da briga ela foi lavar a louça e eu fui ajudar, queria fazer as pases, não queria matá-la. Você acredita em mim Arthur?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Então Alie grita, parecendo ser o único modo de ser compreendido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- NÃO FUI EU ARTHUR, EU NÃO QUERIA MATÁ-LA! Você acredita em mim desta vez?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Claro Alie, eu acredito.  Arthur está desesperado, sabia que Alie tinha alguns antecedentes, mas nunca tinha se envolvido, conhecia Arthur havia alguns meses. Arthur chora do outro lado da linha com medo que ele peça a sua ajuda. Alie fica quieto por alguns segundos, o que Arthur ouve são só os soluços, o choro reprimido e o barulho da mata sinistra. A sensação é de pânico.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Eu estava bem atrás dela, secando aquela maldita louça, quando ela derrubou um copo na pia. Parece que vejo em câmera lenta. Ela derruba o copo e dá um pulo para trás, fugindo dos cacos que espirram, e atrás estou eu, secando uma grande faca afiada de cortar carnes, ela vêm com força, sem saber que estou atrás, a faca entra nas suas costas, atravessando mais da metade do corpo dela, o berro parece o de um porco sendo sacrificado. Depois disto só escuto o barulho do corpo dela caindo no assoalho, o estrondo deu até eco mata adentro. Durante segundos fiquei ali parado, sem saber o que fazer, a faca toda ensangüentada, minha mão, minha camisa. Ela no chão, parada, morta, mas com a mesma cara de vadia envocada de sempre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Arthur interrompe:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alie, você já tem antecedentes, não podemos nem chamar a polícia, não dá para contar esta história. Não dá para enviar este corpo para a Groenlândia, China, nem Amsterdã. Você vai ter que se livrar dela. Não tem vizinhos por aí, ela não tinha parentes, ninguém vai perguntar o que aconteceu. Livre-se dela Alie e pelo amor de deus, não me peça para ajudá-lo.  Arthur chora desesperado com medo de ter que ajudar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Certo amigo, já estou mais calmo, vou me livra dela, enterro junto com o casal de caseiros. Obrigado por me ouvir Arthur, quando as coisas acontecem e a gente não tem culpa, mas também não tem controle da situação, não há nada melhor do que um conselho amigo. Obrigado Arthur.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">Sete meses depois.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alô, Arthur, desculpe te ligar a esta hora, sabe a empregada que trouxe da cidade? Estou tendo problemas com ela.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Alie, eu já te disse milhares de vezes, problemas podem ser resolvidos entre duas pessoas com uma conversa franca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: white; FONT-FAMILY: Arial">- Não Arthur, desta vez ela não vai poder me ouvir.</span></p>
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		<title>CARACAS! CONTOS DE HORROR</title>
		<link>http://insanos.blog.com/2005/02/27/caracas-contos-de-horror/</link>
		<comments>http://insanos.blog.com/2005/02/27/caracas-contos-de-horror/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Feb 2005 04:56:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>buzzz</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><font face="Arial, Helvetica, sans-serif" color="#FFFFFF">Contos perturbados escritos por personagens insanos<br />
e <font face="Arial, Helvetica, sans-serif">à</font>s vezes um pouco ensangüentados.<br /></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><br />
<font color="#FFFFFF">INSANOS.BLOG.COM<br />
VOCÊ CLICA E SAI SANGUE.<br />
<br /></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><br />
<font color="#FFFFFF">SE VOCÊ NÃO TEM ESTÔMAGO FORTE<br /></font></font></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif" color="#FFFFFF">E QUER SIMPLESMENTE SE DIVERTIR,<br />
ACESSE:<br /></font><a href="http://www.caracas.blog.com"><font face="Arial, Helvetica, sans-serif" color="#FFFFFF">www.caracas.blog.com</font></a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><font face="Arial, Helvetica, sans-serif" color="#FFFFFF">Contos perturbados escritos por personagens insanos<br />
e <font face="Arial, Helvetica, sans-serif">à</font>s vezes um pouco ensangüentados.<br /></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><br />
<font color="#FFFFFF">INSANOS.BLOG.COM<br />
VOCÊ CLICA E SAI SANGUE.</p>
<p></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><br />
<font color="#FFFFFF">SE VOCÊ NÃO TEM ESTÔMAGO FORTE<br /></font></font></font><font face="Arial, Helvetica, sans-serif" color="#FFFFFF">E QUER SIMPLESMENTE SE DIVERTIR,<br />
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</div>
<div></div>
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